quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Hormônios do parto

 
Historicamente mães se ISOLAM para parir.

Isso significa que elas instintivamente NÃO gostam de se sentir observadas na mesma proporção que um mulher em estado pré-orgásmico não gosta de responder perguntas:


"você quer um copo de água, meu bem?"


Durante o trabalho de parto o neocortex (parte do cérebro ligado à linguagem) diminui muitíssimo sua atividade e a parte primitiva do cérebro é ativada. Antigamente parteiras faziam tricot enquanto o trabalho de parto evoluía. Atividades repetitivas e um ambiente tranquilo auxiliam um neocortex aquietado e um cérebro primitivo prevalecente.


(você não precisa aprender a fazer tricot)
(você precisa silenciar a lógica)


Hormônios do parto são irmãs benfazejas que circulam no corpo da parturiente, em cascatas generosas, ondas calorosas, fazendo com que a experiência seja aproveitável.


Um pouco sobre cada um:

Prostaglandina =  também presente no semen masculino e é a responsável por amaciar o colo do utero.


(namorar é bom indutor natural de trabalho de parto)
(trabalhos de parto só acontecem quando bebê ESTÁ pronto. induções naturais são apenas um empurrãozinho no sistema fisiológico/emocional da parturiente QUANDO necessário)
(cada caso um caso)


Ocitocina = hormônio do AMOR presente quando fazemos uma refeição com alguém, nos apaixonamos, durante o orgasmo, durante a amamentação, durante as contrações e tem seu climax em vida logo após o parto do bebê. É produzido no hipotálamo (importante centro no cérebro, da expressão emocional e comportamento sexual), é liberado em ondas e induz o comportamento materno.

Endorfina = presente na atividade física, nos habilita a lidar com a dor, reduz o stress, induz o prazer e a euforia, causa "dependência", é contagioso. a beleza induz endorfina.


(um ambiente agradável como se fosse nossa casa  + mover-se se sentir vontade + estar acompanhada de pessoas amorosas = corrente de endorfina)


Melatonina = hormônio do escuro liberado em nosso corpo à noite  (a maioria dos trabalhos de parto começa à noite!) e auxilia a reduzir atividade do neocortex.


(diminuição da luz no ambiente do trabalho de parto é uma providência um TANTO inteligente)


Prolactina = seu nível aumenta na gravidez e reduz no TRABALHO de parto, tem seu auge na hora do PARTO (nascimento)do bebê , produz comportamento de proteção e instinto materno (as necessidades do bb vêm em primeiro lugar). é quem promove a lactação.


(a prolactina, para que a mãe se conecte com sua potência lactante e materna e produza amor liquido pelas mamas)


Catecholaminas = (adrenalina e noradrenalina) reduz volume sanguíneo dos órgãos vitais (ÚTERO É UM ÓRGÃO VITAL) e aumenta volume nas extremidades dos braços e pernas (para brigar ou fugir) e é  desencadeado pela FOME, MEDO e FRIO.


(comer durante o trabalho de parto e beber é minimizar adrenalinas)
(ambiente confortável, agradável e aquecido é minimizar adrenalinas)
(reduzir adrenalinas é deixar o útero em paz)


Em suma:
Medo causa aumento da dor.
Privacidade aumenta a atividade do cérebro primitivo.
Sensação de segurança aumenta a sensação de prazer.

Em suma 2:
Trabalho de parto é trabalho-de-amor-liquido-hormonal mamífero.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Feminino Sagrado



Antigamente lavávamos nossas roupas nos rios conversando com outras mulheres.Quando entrávamos na lua,entrávamos todas juntas e sentávamos na terra, doando nosso sangue sagrado e tecendo sonhos com outras mulheres. Quando tínhamos um filho no útero, ganhávamos a companhia constante de outras mulheres, compartilhando toda a arte de gerar e de dar a luz. Tecíamos, bordávamos, plantávamos, cantávamos sempre juntas.Criávamos nossos filhos juntas. Entendíamos de ervas e compartilhávamos os segredos das medicinas da terra. Quando perdemos esses hábitos nos isolamos e perdemos essa dose maravilhosa de ocitocina (hormônio do amor, fabricado também durante o parto) que fabricamos quando estamos entre mulheres. Começamos a achar normal toda essa individualidade. Começaram a nos rotular de fúteis, que gostamos de comprar, de cuidar da aparência, que falamos demais, que só falamos de homens. Esquecemos a arte de parir. Começamos a achar normal cortarem nossos úteros para dar a luz. Achamos normal também não devolver nosso sangue lunar pra terra a cada 28 dias, e usar absorventes descartáveis pra poluir nossa Mãe Terra. E como nos desconectamos da lua e da terra, e do nosso ciclo lunar começamos a achar normal tomar pilulas bombas de hormônio, porque não conhecíamos mais nosso corpo pra saber quando estávamos férteis. E ai trocamos as sagradas medicinas da Mãe Terra, por medicinas controladoras do nosso corpo. Mas algo estava gritando dentro de todas nós. Algo estava faltando. E por isso no mundo todo essas sementinhas adormecidas voltaram a brotar. Mulheres e mais mulheres voltaram a olhar pro céu, por a mão na terra, sentir e honrar seu sangue, querer parir em paz. Mulheres voltaram a querer estar com mulheres. Em volta do fogo. E em volta de seus próprios corações. E círculos de mulheres voltaram a acontecer no mundo todo...
Anna Sazanoff

sábado, 17 de janeiro de 2015

Documentário - Parto Humanizado

O Cordão Umbilical...

" Cortar o cordão logo que a criança sai do ventre materno é um ato de grande crueldade. E cujos efeitos são mal avaliados. Conservá-lo intacto enquanto pulsa transforma o nascimento.. 
.... o fato de cortar ou não, imediatamente, o cordão umbilical, muda por completo a maneira com se estabelece a respiração. E portanto, o próprio gosto da vida. Se o corte é feito logo após a saída do bebê, o cérebro será brutalmente privado de oxigênio. O sistema de alarme funciona. Todo o organismo reage. E a respiração se inicia como resposta à agressão.....
..... como ficam as coisas quando nos abstemos de intervir e conservamos o cordão? Duplamente oxigenado, o cérebro do bebê não sente em nenhum momento, falta de oxigênio. nada faz funcionar o sistema de alarde. Nem agressão, cianose, nem pânico, nem angústia. Uma passagem lenta e progressiva de um estado ao outro. "
Frederick Leboyer em Nascer Sorrindo.




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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Violência obstétrica?


Violência obstétrica: se esse é ainda um termo novo e de difícil compreensão pra você, assista a este documentário. Ele foi produzido de maneira independente por um grupo de pesquisadoras da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Santa Catarina, com a colaboração voluntária de dezenas de pessoas e se encontra livremente disponível na internet. Assista. E duvide dos propósitos de quem diz que violência obstétrica não existe e que médicos nunca são algozes e estão sempre interessados apenas no bem estar da mulher e do bebê. Com mais de 150.000 visualizações, o documentário foi premiado no Fazendo Gênero 2013, o maior congresso feminista das Américas
Assista o vídeo: 



Fonte:

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Novo consenso sobre duração do Trabalho de Parto

Então agora é oficial: o ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologysts), equivalente à nossa FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), aderiu à curva de evolução de trabalho de parto proposta por Zhang e colaboradores desde 2002.
 Antes  dessa recomendação, o consenso internacional era seguir a curva de evolução do trabalho de parto proposta por Emmanuel Friedman, em 1952. Nada contra Friedman, que na verdade fez o que pode em sua época, mas baseou todo seu trabalho em número pequeno de mulheres americanas da época, e seria ilógico pensar que essa verdade científica fosse real até os dias de hoje. Sabemos que medicina não é uma ciência exata, e que na prática acaba sendo a ciência das verdades temporárias, uma vez que praticamente todo conhecimento se renova em 5 anos.
Mas enfim, o ACOG lançou seu consenso agora, publicado como o primeiro de uma provável série baseada na “força tarefa” chamada de “preventiva da primeira cesariana” (Safe prevention of the primary cesarean delivery. Obstetric Care Consensus No. 1. American College of Obstetricians and Gynecologists. Obstet Gynecol 2014;123:693–711). Entendam, brasileiros: em países sérios, há inúmeras iniciativas para redução da taxa de cesariana.
As tabelas do artigo mostram que a morte materna foi 4,3 vezes superior em cesarianas, e a morbidade respiratória neonatal  chegou até 4 vezes, comparadas com nascimentos por via vaginal. Ou seja, o ACOG entende que cesariana é cirurgia de emergência, que deve ter uma clara justificativa, porque aumenta morbidade tanto para mães como para seus bebês.
A famosa “distócia de progressão” ou “trabalho de parto protraído” é uma das maiores justificativas utilizadas para indicação da primeira cesariana nos EUA. Daí a necessidade de redefinição dos períodos do trabalho de parto quanto a sua duração.
Baseado na curva de Zhang, o ACOG define que, na fase ativa do TP, se houver mais de 6 cm de dilatação com membranas rotas, só devemos diagnosticar trabalho de parto protraído (que não evolui, a famosa “distócia de progressão”) se não houver mudança cervical após 4 horas de contrações efetivas, ou 6 horas de contrações ineficazes. Detalhe: a observação de 6 horas de contrações irregulares SEM USO DE OCITOCINA, QUE NÃO ESTARIA INDICADA ANTES DISSO!!!!!
Além disso, a tabela 3 do artigo salienta:
  1. A fase latente prolongada (mais de 20 horas em nulíparas e mais que 14 horas em multíparas) não deve ser uma indicação para cesariana.
  2. Trabalho de parto lento, porém  progressivo, na primeira fase não deve ser uma indicação para cesariana.
  3. Dilatação cervical de 6 cm deve ser considerada a dilatação inicial na fase ativa da maioria das mulheres em trabalho de parto. Assim, antes de 6 cm de dilatação, os padrões de progresso de fase ativa não devem ser aplicados.
  4. Cesariana por protração da fase ativa deve ser reservada para as mulheres com dilatação superior a 6 cm, com ruptura de membranas, que não conseguem progredir  após 4 horas de atividade uterina adequada, ou pelo menos 6 horas após a administração de ocitocina com atividade uterina inadequada e nenhuma mudança cervical.
  5. A duração do período expulsivo (2ª fase) é baseada em avaliações de baixo grau de evidência, portanto é sujeito a avaliações individuais, desde que não haja exaustão materna nem alteração da vitalidade fetal.
  6. Não se considera expulsivo prolongado antes de 3 horas para primíparas, e 2 horas para multíparas, considerando PUXOS ESPONTÂNEOS.
  7. O parto vaginal é recomendável para gestações gemelares com o primeiro feto em apresentação cefálica, mesmo que o segundo esteja pélvico ou transverso.
Cada vez mais surgem evidências que, na assistência ao parto, a MENOR intervenção é sempre a MELHOR conduta.
Então você, que é cuidador de parto: vamos estudar???
Um trabalho de parto fisiológico não necessita de internação antes de 6 cm de dilatação. Você deve esperar a dilatação acontecer, mesmo que ela esteja ocorrendo lentamente. Não tenha pressa em mandar a mulher fazer força antes que ela mesma manifeste esse desejo. Comece a contar o tempo de expulsivo somente após o início dos puxos espontâneos, mesmo que a dilatação do colo já seja total antes disso (aliás, você fez toque vaginal para quê, mesmo??). Monitore a ausculta cardíaca fetal a cada 15 minutos no expulsivo em mulheres de risco habitual, observando variabilidade.
Tenha tranquilidade.
NUNCA, em hipótese alguma, faça pressão fúndica uterina para o nascimento da criança (manobra de Kristeller). Isso é desnecessário e prejudicial. Se você tem pressa, vá dar uma volta, abra o notebook e leia esse consenso.
Seja um assistente de parto, e não um realizador do processo! Mulheres agradecem, e a boa ciência também.

Artigo na íntegra:http://www.acog.org/Resources_And_Publications/Obstetric_Care_Consensus_Series/Safe_Prevention_of_the_Primary_Cesarean_Delivery#table1